Com Jesus coadjuvante, filme bíblico "Ressurreição" discute o perdão

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Quando se trata de retratar Jesus no cinema, o que em geral se faz é ressaltar duas de suas imagens míticas mais poderosas: a do mártir e a do super-herói que anda sobre as águas, multiplica pães e peixes, ressuscita mortos e cura os leprosos.
Mas chega aos cinemas nacionais nesta quinta (17) "Ressurreição", com Joseph Fiennes e Cliff Curtis. O filme narra uma passagem da Bíblia pouco explorada no cinema: as três aparições de Cristo após sua crucificação.
Fiennes interpreta Clavius, o comandante do esquadrão de extermínio do Império Romano responsável pela morte do Nazareno. Sua vida e suas convicções, no entanto, mudam completamente quando ele começa a investigar o desaparecimento do corpo de Jesus e descobre que o messias está vivo. A figura de Jesus Cristo (Curtis), no entanto, é sempre mostrada à distância. O personagem quase não tem diálogos. 
"Acho que isto [filmar Jesus de longe] tem a ver com o sentido último da fé. Afinal, o quanto precisamos estar perto e testemunhar para termos fé? Algumas pessoas irão querer ver cada detalhe para acreditar. Outras só precisam de uma imagem de relance…", diz Fiennes.
Outro detalhe importante: Cristo, neste filme, é um coadjuvante, já que a história se centra na figura de Clavius, o romano incrédulo, e em sua transformação em homem de fé.
"A discussão sobre fé, sobre perdão, sobre ter uma segunda chance é algo que fala com nós todos. E Clavius fazia parte do esquadrão da morte responsável por matar Jesus Cristo. Não apenas seu mundo vira de cabeça para baixo quando ele se encontra com o cara de novo, mas ele conclui que o perdão é não apenas uma parte importante da humanidade, mas também um processo de evolução. A maioria das histórias bíblicas nos reconecta com o que somos", completa o ator.
Cliff Curtis, o Jesus, diz que este filme é sobre Clavius, o romano. Apesar disso, a presença de Jesus no filme é intensa. E grande parte disso se dá devido ao trabalho do próprio Curtis. Além se não ser o típico caucasiano que costuma dar vida ao Messias no cinema, o ator contou à reportagem do UOL que durante seu processo criativo tentou viver como Cristo.
"Meditei muito e fiz um voto de silêncio. Fiquei vivendo sozinho por um mês, não falei com o diretor, nem com os outros atores. Foi lindo. Eu falo demais normalmente", disse.
A reportagem então perguntou: após sua vivência como Jesus Cristo, o que o nazareno diria aos pastores que usam seu nome para conseguir dinheiro de fieis, como acontece tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos?
"Eu não sei o que ele diria, mas acho que está tudo nas escrituras, na parte em que ele entra no templo e vira as mesas [dos fariseus]. Esse filme mostra a trajetória desse soldado romano, que está sempre querendo mais. Mais dinheiro, mais poder. Mas o que ele não tem? Paz. E Jesus aparece para lhe dar paz. Então, essa é a mensagem desse filme. Ser menos egoísta com o objetivo de ajudarmos a nós mesmos."
O que os atores diriam, então, se encontrassem Jesus?
O que eu gosto neste filme é que Clavius confronta este homem [Jesus] de um forma muito humilde. Ele não sabe o que perguntar… Acho que comigo seria mais ou menos o mesmo. Eu adoraria encontrá-lo, mas no momento do encontro eu ficaria tão estupefato que não saberia o que dizer.Joseph Fiennes
Eu não tenho nada a perguntar, porque tudo que devia ser dito está na escritura. E essas questões até hoje estão sendo discutidas. Não é uma questão se se perguntar, mas de se ouvir. 

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